José Saramago, no seu interrompido (e ocasionalmente retomado) Caderno, referiu-se ao caso de Maria João Pires e à sua renúncia à nacionalidade portuguesa, na sequência de graves desentendimentos entre a pianista e o Ministério das Finanças, que levaram ao encerramento da escola de Belgais.
É curioso, ou talvez não, que Saramago tenha aberto uma excepção (como agora abriu a propósito de uma edição d’A Jangada de Pedra, cujo produto reverterá integralmente a favor das vítimas do sismo no Haiti), para se referir a uma rotura de cidadania, ele que também se desentendeu com certas autoridades do seu país, tendo ido viver para Espanha, que o acolheu de braços abertos (os espanhóis gostam de nacionalizar tudo o que lhes possa trazer vantagens, e um Prémio Nobel não é para desprezar…).
São duas figuras de peso que de certo modo nos deixaram, virando-nos as costas e batendo com a porta.
Saramago perdeu a paciência por causa de uns inefáveis censores que havia por cá (e que, afinal, à sua maneira, tinham demasiadas culpas no cartório para que lhes assistisse o direito de julgar os outros ou as suas obras). Os que atiram pedras ao escritor deviam lembrar-se disto, se é que alguma vez lhes ocorreu.
Quanto à pianista, o caso é um bocadinho diferente. Poderia dizer-se, a propósito, que o génio artístico e a capacidade de gestão não andam necessariamente de mãos dadas. No final, foi pena que ninguém tenha sido capaz de encontrar uma maneira de obviar esse inconveniente. Que afinal não era mais do que isso.
Se algum dia alguém for capaz de fazer o balanço de ambas as situações, saber-se-á quem ganhou e quem perdeu?
O artista ia em viagem por Castela (Castilla – La Mancha), qual Quijote sem Sancho Panza. Algures entre Toledo e Ciudad Real, os seus olhos depararam com um monte de potes de cimento, desses onde há algumas décadas eram fermentados os mostos aqui abundantes e encorpados, tarefa hoje a cabo de esterilizadas cubas de aço inoxidável.
Acabada que foi a sua função, por desnecessários converteram-se num estorvo, às vezes decoração de rotundas, e a servirem também como reservatórios de água, líquido este do qual se diz que com aquele se não deve misturar. Diz-se…
Filosofando sobre o triste fado das inutilidades, o artista puxou do pincel e pintou esta aguarela, para que, mesmo inúteis, não fiquem esquecidos os tristes potes…
Adeste Fideles
Laeti triumphantes
Venite, venite in Bethlehem
Natum videte
Regem angelorum
Venite adoremus
Dominum
Cantet nunc io
Chorus angelorum
Cantet nunc aula caelestium
Gloria, gloria
In excelsis Deo
Venite adoremus
Dominum
Ergo qui natus
Die hodierna
Jesu, tibi sit gloria
Patris aeterni
Verbum caro factus
Venite adoremus
Dominum
Embora ainda subsista alguma polémica quanto à autoria deste hino, é quase consensual que se deve ao rei D. João IV de Portugal.


Em alguns momentos deste adaggio lamentoso final da Patética de Tchaikovsky (p.ex. logo no início), parece que vamos ouvir a seguir:
Não é bem assim, mas vale a pena ouvir, em ambos os casos.
Uma catedral gótica pode ser algo mais do que uma obra de arte.

Imagem:
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A minha dúvida é sobre se a palavra leva acento (fórum) e se o plural é fóruns ou, em latim, fora.
Esta é uma polémica que está activa e será, para alguns, totalmente estéril.
Pela minha parte, não reivindico para ela uma grande fecundidade, mas gostaria, com certeza, de ver o assunto esclarecido.
Na rede, os espaços assim designados pretendem (ou anunciam) ser lugares de discussão e polémica sobre um assunto particular ou sobre uma determinada temática.
É de notar que esses espaços têm donos (designados como administradores ou moderadores) que são quem, na realidade, controla aquilo que pode ou não aparecer nas páginas e tópicos associados. Exercem sobre os participantes uma censura efectiva, que pode passar tanto pela modificação como pela supressão pura e simples das mensagens ou respostas. Dispõem de um mecanismo repressivo que consiste no banimento, temporário ou definitivo, dos membros transgressores das regras, como forma de controlar o funcionamento do fórum.
Normalmente, esses administradores/moderadores são membros que também participam nas discussões. Portadores de uma dupla qualidade, fácil é suceder que, em caso de discordância quanto a matérias concretas, as desavenças contaminem a própria função de “juiz” que compete ao moderador, com as consequências que se podem imaginar.
O poder dos administradores/moderadores é absoluto e pode conduzir a tentações e condutas autoritárias (evidentemente que isso pode provocar o desagrado dos participantes e consequente descrédito do fórum).
Assim, se participar num desses espaços, não esqueça que aquilo não é o seu blogue. Com maior ou menor observância das regras previamente explicitadas, quem manda ali, em última instância, é o administrador/moderador (por outras palavras, o dono).
De tal maneira que, caso surjam problemas, e quase sem dar por isso, o participante, em vez de estar no fórum, está fora (!).


